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Quase de avó para neta

(Vivina de Assis Viana)

Para Edmir Perrotti

 

    Meu amigo paulistano, nascido e criado na colônia italiana, me olha com olhos de espanto quando lhe digo, entre acertos e desacertos de um texto em que trabalhamos juntos, que fazer pão de queijo é tarefa bem mais fácil.

    — O quê? Você sabe fazer pão de queijo?

    — E não era pra saber?

    — Não conheço ninguém capaz de uma proeza dessas. Posso te chamar em minha casa, um dia, e te pedir pra fazer?

    Tento acalmá-lo, lembrando que ele está diante de uma mineira.

    — E mineiros, às vezes, além do pão de queijo, fazem também o queijo, sabia?

    — E você é um desses seres?

    — Claro.

    — Claro?

    Meu amigo Edmir Perroti abandona os textos sobre os quais, há alguns dias, se debruça – nos debruçamos – com tanto empenho, e me olha como se me visse pela primeira vez:

    — Tá legal, tá legal. Mas, explica aí, vai. Como é que se faz uma coisa dessas?

    — Um queijo, você quer dizer?

    Começo a dissertar sobre curral, vaca, balde, leite, coalho, soro, forma de madeira, caçamba, queijeira.

    A cada nova informação, o espanto é tão sincero, tão paulistano, tão italiano, que, meio sem jeito, tento, mais uma vez, me justificar:

    — Sou mineira da roça, esqueceu? Cresci vendo minha mãe fazer queijo, todo dia, todo dia, todo dia.

    Ansioso, ele arrisca:

    — E o que mais você viu, ou aprendeu, enquanto crescia?

    Quase lhe conto que bem que meu pai fez duas ou três tentativas, mas não consegui aprender a tirar leite, coisa que a mãe dele – dizem – fazia muito bem.

   



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