Primeiro Programa Transamérica
  FAÇA SEU CADASTRO   OUÇA A RÁDIO   PODCAST DO PROGRAMA   FALE CONOSCO
Almanaque   Atitude Blog Colunistas Notícias Veneno Grade do Programa Quem Somos
Sua Cesta de Compra Acompanhe Seu Pedido Reimprima seu Boleto SAC
CRÔNICAS
Leia aqui os Textos Anteriores


O escorpião voltou?

(Sergio Antunes)

 

O escorpião queria atravessar o rio, mas não sabia nadar. Então, pediu ao sapo que o atravessasse nas costas.

A história é velha. Mas não achei outra mais nova pra contar.

É que estamos perto das eleições e, para mim, embora tenha meus candidatos, o mais importante são as eleições em si, o processo de chamar o povo a decidir sobre o seu próprio futuro. O mais importante, portanto, é a democracia funcionar. Quem perder hoje pode ganhar amanhã.

Mas não basta haver eleições. Alguns países ditatoriais vivem fazendo eleições. Nem por isso se transformam em democracia. Veja o caso do Sudão.

O presidente sudanês foi reeleito para um novo mandato, mesmo nas primeiras eleições pluripartidárias em mais de duas décadas. Omar Al-Bashir, alvo de mandado de captura por parte do Tribunal Penal Internacional, conseguiu 68,24% dos votos.

Muammar Abu Minyar al-Khadafi é o Chefe de Estado da Líbia desde 1969, sempre ganhando eleições.

O mesmo poderia ser dito dos governantes de Cuba, do Irã e tantos outros países sem democracia, mas com eleições periódicas.

É que, para a eleição consagrar a democracia, é preciso que haja liberdade de escolha e igualdade de oportunidades para os candidatos.

Na Roma antiga, os que pretendiam ser eleitos, se vestiam de branco, roupa cândida, para mostrar que não tinham manchas na reputação, tinham ficha limpa. E, ainda, para se identificar como candidatos.

No Brasil da Ditadura Militar, os presidentes eram eleitos em eleições indiretas por um Congresso viciado em sua representação, contando, inclusive, com senadores biônicos, nomeados pelo sistema para votar a favor dos candidatos do sistema.

Os abusos eram freqüentes, com a imprensa sob censura. Como a Arena, partido do Governo, estava perdendo frequentemente as eleições para o MDB, partido da Oposição, os ditadores criaram uma lei que proibia a existência de partidos cujo nome não começasse com a letra “PE”. Pode? Foi quando o MDB virou PMDB.

Um país em que o Governo use sua força para eleger seus candidatos e coagir os adversários, nem que seja só um pouquinho, deixa de ser uma democracia.

Por isso, são preocupantes fatos como o da quebra de sigilo de pessoas ligadas à Oposição brasileira. Sobretudo porque os candidatos do Governo não necessitam deste tipo de ajuda para ganhar as eleições.

Então, porque usaram o Poder para quebrar sigilo fiscal de pessoas ligadas à Oposição?

Pode ser um fato isolado de um subalterno qualquer que, para mostrar serviço, faz a asneira. Igual ao que fez Gregório Fortunato, ajudante de ordens de Getúlio, que por sua conta e risco resolveu assassinar Carlos Lacerda. Acabou matando seu próprio chefe, Getúlio, a quem pretendia servir.

Ou pode ser igual ao escorpião da história velha do começo da crônica. No meio do rio, o escorpião picou o sapo e, quando ambos estavam morrendo, um envenenado e o outro afogado, diante do espanto do sapo, que queria saber o porquê de ato tão insano que mataria os dois, o escorpião respondeu: é a minha natureza.

Tomara que não seja da natureza de quem anda praticando atos autoritários como o de quebrar o sigilo fiscal dos adversários. Pode matar a Democracia.



  Ver Curriculum
  PODCAST: Ouça este texto.
  Comentários: