TOQUE DE LUZ
Potencial
A maioria de nós, em algum ou vários momentos, já teve uma idéia realmente boa a respeito de nós mesmos. Foi como um insight verdadeiro sobre como queremos ser. Ao longo de uma vida podemos coletar várias dessas idéias e ir guardando como moedas preciosas, num lugar secreto e seguro – nossas mentes. Mas, ao invés de guardá-las escondidas, ao invés de acumular o que não tem força, deveríamos usar todos esses insights. Só assim conseguiremos banir uma causa comum de desconforto: o sentimento negativo de que não estamos reconhecendo, nem fazendo uso de todo o nosso potencial. E então, que tal abrir o seu cofrinho interior?
Divulgação/Arquivo

Freud em Wall Street
A felicidade não está concentrada nos pronunciamentos do presidente do Banco Central, nem na cobertura com quatro suítes anunciada no jornal, nem na concessionária da esquina. A felicidade tampouco está em algum serviço com prefixo 0900, não está em Bali e nem na farmácia que vende Prozac sem receita. Essa tal felicidade, mais procurada que bandido de história em quadrinho e filho desaparecido, não mora num único endereço. Ela tem uma escova de dentes em cada lugar.
Se não me engano foi Freud quem disse que, assim como um prudente homem de negócios não coloca todo seu capital num único investimento, não se deve esperar toda a satisfação de uma única fonte. Os riscos são altíssimos.
Uma profissão, pra começar. Deposite seus melhores neurônios nessa conta e corra atrás da rentabilidade.
Uma viagem. Duas. Várias. Retorno garantido.
Um hobby. Pintura, aeromodelismo, Internet, pólo aquático, uma horta, origami, criação de orquídeas, voluntariado. Um prazer secreto, cuja senha só você conheça.
O excedente aplique em livros, discos, delicatessens, cinema, num bom par de tênis, num colchão box springs, em silêncios, luares, conversas, sexo e num computador. Na falta de dinheiro e noções de informática, vale um grosso caderno de pauta. Escreva. Sonhe. Enlouqueça uma hora por semana.
Não espere toda a felicidade de uma única fonte. É Freud ensinando como economizar lamúrias.
(por Martha Medeiros - publicado na Revista Época)