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Jogo dos três erros
Jogo dos três erros

(Alexandre Pelegi)

Depois que o Brasil redescobriu o processo eleitoral, a história se repete: após cada eleição verifica-se um rearranjo na composição do poder. Quem perde, cede a cadeira. Quem ganha, ocupa mais espaço na administração pública. Tido e havido como um componente genético do processo político, essa forma de repartir poder é assumida com naturalidade pelos partidos.
Que acordos políticos sempre existiram vá lá, mas a diferença de uns tempos para cá está na imoralidade como são montados: na base do “toma-lá-dá-cá”. Ao invés de programas e idéias, apoio político tem preço de tabela, traduzido em cargos em estatais, vagas em ministérios e verbas públicas para currais 


Se o acordo não fecha, um movimento subterrâneo dá início à chantagem. Esta pantomima se repete a cada dois anos, sempre após as eleições, seja para deputados, seja para prefeitos, que é quando os caciques partidários medem forças para demonstrar influência e calibrar seu cacife. Na hora de cobrar a fatura do governo central, o discurso para o eleitor beira o escracho: político bom é aquele que consegue recursos públicos para investir em obras e benfeitorias públicas para sua base. Por trás da aparente singeleza, a malandragem política escamoteia três erros.

 

O primeiro: o critério de liberação de verbas públicas deveria se ater a parâmetros econômicos e sociais. Comida para quem precisa de comida, escola para quem precisa estudar, saúde para quem vive em situação de risco... Pela lógica dos partidos prevalece o oposto: verbas devem ser destinas por quem demonstrou força eleitoral. Logo, a decisão é fruto do poder do político, e não da necessidade do cidadão.

 

O segundo erro decorre do primeiro: boa parte das verbas públicas assim destinadas tem o destino da corrupção. O final da história são licitações fraudulentas e desvios orçamentários, como atesta a Controladoria Geral da União. Depois de percorrer um sinuoso trajeto, o dinheiro do contribuinte vai despencar em caixas de campanha e outras finalidades inidôneas.

 

O terceiro erro é de quem governa, pois cede à chantagem acreditando que o preço pago pelo apoio, além de inexorável, é plenamente justificável... É uma traição ao eleitor, que vota em políticos que usurpam o poder que lhes é concedido. Lotear governo está longe de ser coalizão; é negociata...

 

Vários governantes caíram nessa armadilha, e trocaram a legitimidade pela pusilanimidade. Que um presidente precise de apoio partidário para governar, nada de anormal. Anormal é o que os partidos cobram por isso, e o presidente paga... com nosso dinheiro!


 



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