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Computadores resolverão a educação?


(Márcio  Xavier)

A decisão do governo de diminuir o preço do computador provocou uma revolução no país” - disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - durante o lançamento nacional do Programa Um Computador por Aluno (Prouca), nessa sexta-feira dia 23/7, em Caetés/PE terra natal de Lula.

 

Sou um cético de plantão e reticente quanto a declarações festivas de mandatários do governo. Em última análise elas visam enaltecer seus próprios feitos. A realidade mostra que somos cerca do 10º país em desigualdade social e, a esta altura, devemos estar na 1ª colocação, entre as maiores taxas de juros do mundo. No caso da educação no Brasil os dados são desanimadores. Apesar de, em números brutos, nossa economia estar bem situada - 6º lugar - estamos por volta da 85ª posição em educação. Não criei esses números: são da ONU, UNESCO e do Banco Mundial. Equidade social e educação têm correlações indissociáveis.

 

Voltando ao uso do computador na escola, lamento informar, mas esse adesismo tecnológico irrefletido não é mais que uma panaceia educacional. A pretexto de melhorar a educação, não faz mais que promover a expansão dos negócios digitais, particularmente a fabricação de computadores, venda de software e serviços de internet. Por trás disso, não se enganem: há grupos de fornecedores ávidos por lucros. Diante das telas coloridas dos computadores, coisas que são elementares como escolas bem estruturadas, bibliotecas, número menor de alunos por sala e bons profissionais docentes ficam esquecidas. Sobre estes, os números são de chorar: entre 2007 e 2009 o Censo Escolar detectou que o número de professores sem diploma aumentou. Que raio de educação pretendem os governantes se permitem que pessoas sem formação adequada lecionem? Isso sem falar nos diplomados incapazes, coisa que presenciei neste final de semestre. Quem me conhece mais de perto sabe do que estou falando.

 

A tecnologia não pode servir de camuflagem para um mau trabalho educacional que vem se arrastando, a despeito das estatísticas oficiais. Os governos alardeiam ter diminuído o analfabetismo e cada vez mais alunos concluírem a educação básica. Balela! Como apregoa meu amigo Pelegi, basta perguntar aos políticos onde é que seus filhos e netos estudam e constatar que passam longe da escolas públicas “sensacionais” que eles propagandeiam. Hipócritas, isso é o que são.

 

Sou apologista do uso do computador e da internet na escola. Recentemente escrevi um artigo científico sobre esse assunto, defendendo o uso dessas na educação. Mas nele afirmo que distribuir computadores para os alunos sem nenhum direcionamento e com professores incapazes, apenas enriquece a grupos empresariais tecnológicos e financeiros. Como resultado tão somente aumentará o número de inscritos em sites de relacionamento (Orkut, Facebook, etc.) e disseminará o uso de comunicadores instantâneos como o MSN Messenger, através dos quais os alunos desaprenderão a leitura, o uso da escrita formal e poderão tomar contato com todo tipo de podridão social digitalizada. Isso não é inclusão digital, muito menos vai melhorar a educação.

 

Computador e internet sem formação de docentes e sem escolas de qualidade? Muito obrigado, senhor presidente! Podiam usar esse dinheiro de outras maneiras.

 

 



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